segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Até os lobos guardam silêncio - I

Na passada semana, num dia que já não sei precisar, ouvi na televisão uma notícia que me deixou chocada e que veio reforçar a convicção que, ao longo da vida, se tem vindo a instalar no mais profundo do meu ser. Referia a locutora que tem vindo a aumentar o número de idosos que são abandonados nos hospitais deste País.

Sem querer fazer o papel de juiz, perguntei-me como é que é possível que alguém deposite e abandone os seus familiares num hospital ou num lar, com a mesma ligeireza com que coloca um saco de roupa velha no contentor do lixo.
Será que os valores judaico/cristãos e a tão propagada civilização ocidental, de que tanto se orgulham os dirigentes dos países da Europa e dos Estados Unidos, já foram com os porcos?
Quando renegamos o passado e voltamos as costas aos problemas do presente, o legado que deixamos aos nossos filhos não os vai conduzir a um bom futuro. E essa culpa vai ficar inscrita no registo do breve sopro que foi a nossa vida no Tempo.
Talvez esteja errada, mas parece-me que este mundo global em que vivemos e a insaciável voragem pelo consumo nos despiram daquilo que era a nossa imagem de marca: a humanidade.
Daí a minha convicção de que os outros animais são muito melhores que nós. Penso que o universo seria bem melhor se só eles existissem.

Sem comentários:

Enviar um comentário