quinta-feira, 24 de maio de 2012

O erro primitivo

A Democracia foi uma utopia política e até bonita que nos foi deixada pelos Gregos. Ora, nos dias que correm,a União Europeia, tal como o FMI e os decisores dos USA, todos super democratas, super defensores dos direitos humanos, super tolerantes e que falam  da aldeia global como se quisessem viver de mãos dadas e partilhar tudo o que de bom existe no mundo, andam de reuniões em reuniões para arranjarem uma forma airosa para correrem com os Gregos da União Europeia. O povo costuma dizer que de boas ideias está o Inferno cheio. E o facto é que se os Gregos de Atenas não tivessem tido a brilhante ideia da democracia, talvez hoje aquele povo estivesse numa posição menos humilhante e difícil. Se, em vez de Atenas, tivesse sido Esparta a decidir sobre as questões da humanidade, de certo que o povo grego teria actualmente o mesmo estatuto da Alemanha. Não nos podemos esquecer que em Esparta se atiravam para precipícios crianças que tivessem nascido com malformações físicas ou mentais. E se a Grécia tivesse o mesmo estatuto da Alemanha já ninguém quereria sequer que fosse a própria a querer sair do grupo dos "Tecnocratas reles e dos Judas despudorados".
De qualquer forma, os Gregos, tal como os Alemães, os Franceses e alguns povos nórdicos também não são flores que se cheirem. Todos eles sofrem de uma fobia estúpida, irracional e doentia em relação aos imigrantes, que saem das suas terras em busca de trabalho, que lhes permita a sua sobrevivência e a da sua família.
 Mas pensando bem, o erro não estará nos povos, mas sim no próprio ser humano, que é a prova de que até Deus errou e não aprendeu com o erro, senão já teria acabado com estes seres que têm, na sua génese, o mal, mal esse que não pára de aumentar, uma vez que os humanos continuam a procriar!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O mundo às avessas

Acabei de ouvir a notícia de que as grávidas, em Portugal, vão passar a ser seguidas por enfermeiros, em vez de médicos. Tenho todo o respeito pelos enfermeiros, como por qualquer outra profissão, mas invadiu-me um sentimento de indignação, por estarmos entregues a um Governo/conjunto de tecnocratas que são capazes de vender a alma ao diabo para poderem cumprir os contratos de neo-escravatura que, de forma indigna, assinaram com os dois países que ditam as leis na Europa.

domingo, 13 de maio de 2012

Se o Vaticano quisesse...

Não é minha intenção ofender as crenças religiosas, quaisquer que elas sejam, mas não consigo deixar de pensar de forma crítica no que concerne à nossa racionalidade. De facto, independentemente de uma pessoa ser cristã, judia, ou maometana, isso não invalida que para as três pessoas um mesmo objecto tenha o mesmo significado.

Contra o desemprego vale tudo?

O nosso primeiro ministro insiste num optimismo ridículo e irrealista que se usasse noutro país já lhe teria dado o direito mais que democrático de ficar com a cara feita num bolo informe. Somos todos gente decente que não gosta de violência, que temos muito de democratas e de cristãos, pelo que passamos a vida a dizer blá, blá, blá... Mas tudo tem limites e, um dia, pode haver alguém que tendo chegado ao limite do desespero, passe das palavras a actos de violência, o que não é de todo desejável.

Cada povo tem o Governo que merece


Portugal não pára de nos surpreender pela negativa. Já chegámos aos 15% de desempregados. As explicações dadas para este facto são muitas, mas pouco sérias: é o impacto da crise na Europa, é a desregulação dos mercados e a diminuição do PIB, são os diabólicos jogos das empresas de rating que transformam em lixo empresas que cumprem as suas metas económicas e sociais e, ao invés, dão classificações máximas a outras que têm como meta afundar-se, arrastando consigo milhares de pessoas para o desemprego.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Uma pedrada no Charco

Gostei de ver: por um lado, a forma mais que correcta usada pelo Deputado Honório Novo, ao devolver ao Ministro das Finanças o anexo ao documento de Estratégia Orçamental, pelo facto de o mesmo ter sido entregue em inglês.
Por uma questão de dignidade e porque estamos em Portugal, não podemos deixar que no Parlamento  Português se entreguem documentos numa língua que não seja a Portuguesa. Como sempre, o Partido Comunista não trai, nem se trai.
Mas, do que gostei mesmo mais foi do ar quase dócil com que o Ministro teve de aceitar a referida devolução. Afinal, até mesmo a falta de dignidade tem limites!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Uma luz ao fundo do túnel?

Começo por afirmar que François Hollande não pertence à minha área política, mas tenho como certo que, depois do passado Domingo, a Europa pode ter voltado a ser o símbolo da esperança, da democracia e da fraternidade. Será ingenuidade minha? Apesar de por vezes ser pessimista, não o creio. Durante 21 séculos de História, a Humanidade já deu muitas provas de que será sempre pela tolerância, pelo sorriso e pela partilha que o mundo pula e avança.
E o que a União Europeia tem defendido é a tecnocracia, a ingerência nos assuntos internos de estados que deviam estar em pé de igualdade com todos os outros membros, mas que, pelo contrário, têm sido humilhados e forçados a aceitar "ajuda envenenada", já que, passado um ano de intervenção, as condições de vida desses povos têm piorado e, pasme-se, já foi equacionada a hipótese de expulsar a Grécia da União Europeia. ~
Ora com amigos assim, quem precisa de inimigos?

sábado, 27 de novembro de 2010

"Esta é a ditosa Pátria minha amada,"

Foi assim que, há cerca de 500 anos, o grandioso Poeta se referiu a Portugal, no Canto III da sua obra épica "Os Lusíadas". Se vivesse agora, que descrição faria? Talvez "Esta é a desditosa, ou infeliz, ou desventurada, Pátria minha amada" ou, pior, "Esta era a ditosa Pátria minha amada". Nunca vamos saber, mas podemos sempre imaginar, quanto mais não seja transpondo para o Poeta os nossos próprios sentimentos.

FMI - Lágrimas de crocodilo

Foi com enorme espanto que ouvi, 5ª feira, a notícia de que o FMI chegou à conclusão de que a raiz da crise financeira reside na desigual distribuição da riqueza, o que provoca um fosso cada vez maior entre ricos e pobres. Esta declaração, vinda de uma instituição financeira cuja prática tem sido dar cinco com uma das mãos, retirando dez com a outra, denota um cinismo tão refinado que até provoca náuseas.
Mas, afinal, não há motivos para espanto nem para náuseas. Aquela notícia só podia ser uma manobra de diversão. Senão, leia-se uma outra notícia publicada no mesmo dia pelo Diário de Notícias, segundo a qual o mesmíssimo FMI aconselha Portugal a pagar menos para despedir, sendo que Peritos do referido Fundo avançam com propostas tendentes à revisão do Código do Trabalho, por forma a acautelar os interesses das empresas, que poderão assim rescindir com os trabalhadores por um custo mínimo.
Pode um lobo vestir a pele de um cordeiro? Poder, pode, só que não lhe assenta bem e facilmente é reconhecido. Na primeira notícia o FMI trajou de cordeiro, e daí o meu espanto, mas quando li a segunda notícia, já ele envergava as vestes que lhe são próprias. A sua preocupação quanto ao fosso entre ricos e pobres não é por estes estarem cada vez mais pobres, mas sim porque esta situação pode impedir que os ricos continuem a ficar cada vez mais ricos.

A tragicomédia intitulada "Orçamento para 2011".

Descubra as diferenças!
A parte trágica do Orçamento vem aí e vai abater-se sobre os mesmos do costume: os trabalhadores com ou sem emprego, os reformados e a camada da população mais desfavorecida, que cada vez mais ficará excluída do direito a ter habitação digna, saúde, educação, inserção laboral e o mais grave é que terá ainda menos comida para dar aos filhos.