O nosso primeiro ministro insiste num optimismo ridículo e irrealista que se usasse noutro país já lhe teria dado o direito mais que democrático de ficar com a cara feita num bolo informe. Somos todos gente decente que não gosta de violência, que temos muito de democratas e de cristãos, pelo que passamos a vida a dizer blá, blá, blá... Mas tudo tem limites e, um dia, pode haver alguém que tendo chegado ao limite do desespero, passe das palavras a actos de violência, o que não é de todo desejável.
Ao afirmarmos que o desemprego não só não é uma fatalidade, como pode contribuir para abrir novas oportunidades, estamos, no mínimo, a acrescentar qualidades humanas a todos aqueles que passam a vida a tramar os outros, que usam o conto do vigário para enganar os mais incautos e até os mais desprotegidos face a uma justiça que só funciona para os que podem pagar bem.
De facto, se usarmos a imaginação, na falta de emprego, podemos arranjar uns amigos "porreiros", que têm sempre uns negócios interessantes e, até, muito bem pagos, que podem, ao princípio, deixar um peso na consciência, mas sendo nós animais de hábitos, depressa entramos na engrenagem e nos sentimos gente importante, porque a importância das pessoas, na sociedade em que vivemos, mede-se pelo saldo da sua conta bancária. Portanto, o primeiro ministro tem de pensar muito bem no que diz, ou corre o risco de ser acusado de tentar angariar portugueses, designadamente jovens, para práticas ilícitas.

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