Portugal não pára de nos surpreender pela negativa. Já chegámos aos 15% de desempregados. As explicações dadas para este facto são muitas, mas pouco sérias: é o impacto da crise na Europa, é a desregulação dos mercados e a diminuição do PIB, são os diabólicos jogos das empresas de rating que transformam em lixo empresas que cumprem as suas metas económicas e sociais e, ao invés, dão classificações máximas a outras que têm como meta afundar-se, arrastando consigo milhares de pessoas para o desemprego.
Para o Governo e o patronato são os "altos" salários dos portugueses, as suas "óptimas" condições de trabalho e a sua " falta" de empenho que têm como consequência o aumento do desemprego, a baixa competitividade e a diminuição do poder de compra.O estranho é que os portugueses que trabalham no estrangeiro são elogiados e respeitados pela sua competência, honestidade e qualidades humanas.
No entanto, o número de desempregados não pára de aumentar no País e as condições de vida dos trabalhadores pioram diariamente.
Parece-me que o verdadeiro problema está na falta de competência e seriedade da classe política que nos governa e na tendência milenar dos portugueses para se conformarem com todos os males que lhes acontecem, estando sempre à espera de um milagre que os livre da borrasca em que se encontram. Aliás, só isto justifica que, com as condições actuais de vida, os portugueses ainda pensem dar a maioria de votos a este governo, que só conhece um caminho para a saída da crise: criar condições para que os ricos fiquem sempre mais ricos e os pobres, cada vez mais pobres.
Se cada um de nós não se respeitar enquanto trabalhador, se não exigirmos os direitos que nos são devidos e estão consagrados na Constituição e nos Contratos de Trabalho, se trairmos os outros trabalhadores ao aceitarmos condições de trabalho que tantos sacrifícios e luta custaram para ser alcançadas, então só resta concluir que, de facto, merecemos mesmo o Governo que temos!

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