Acabei de ouvir a notícia de que as grávidas, em Portugal, vão passar a ser seguidas por enfermeiros, em vez de médicos. Tenho todo o respeito pelos enfermeiros, como por qualquer outra profissão, mas invadiu-me um sentimento de indignação, por estarmos entregues a um Governo/conjunto de tecnocratas que são capazes de vender a alma ao diabo para poderem cumprir os contratos de neo-escravatura que, de forma indigna, assinaram com os dois países que ditam as leis na Europa.
É preciso poupar, a todo o custo: aumentam-se as taxas moderadoras para tornarem proibitivo o acesso de muitos cidadãos aos cuidados básicos de saúde. E, depois, ainda vêm os bôbos da corte (leia-se, boa parte da comunicação social) comunicar a diminuição de idas aos referidos Serviços, como se fosse um milagre operado pelo bom desempenho do governo.
Já agora quero dar um conselho ao nosso ilustre governo: porque não acabar, já no próximo ano lectivo, com os cursos de obstetrícia, uma vez que os enfermeiros podem fazer o serviço por menos dinheiro? E, porque não consultar o sistema informático da Segurança Social? Talvez descobrissem, entre as pessoas que recebem RSI algumas parteiras que pudessem, num sistema de 2 em 1, trazer as criancinhas ao mundo, pelo subsídio que já recebem para ajuda da sua subsistência?
E já agora, porque não arranjar um conjunto de merceeiros, armazenistas, domésticas que, de uma forma honesta, governassem o país? Nós não ficaríamos pior e os senhores governantes, certamente, arranjariam colocação mais bem paga em instâncias estrangeiras, que têm grande apreço pela forma como os senhores se colocam em bicos de pés, mesmo que estejam a falar com pessoas de mais baixa estatura.
Todos os países no sistema capitalista têm dívidas. Portugal não é excepção e, por isso, não nos podem tirar o direito de decidir como é que queremos viver, que saúde e educação é que queremos para os nossos cidadãos, que Juízes é que queremos ter para fazerem cumprir a lei em geral e a Constituição, em particular. Sim, porque a Constituição da República Portuguesa diz que a Saúde é um direito universal e tendencialmente gratuito. Alguém vê, em Portugal, algum Juiz que venha dizer aos políticos que se não cumprirem a Lei, sofrem as consequências? Infelizmente, não. O que vemos são audiências a serem progressivamente adiadas nos Tribunais para, de uma forma escandalosa, acabarem com o encerramento dos respectivos processos, por terem caducado os prazos. Como o povo costuma dizer, uma mão lava a outra e as duas lavam a cara!

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