sábado, 27 de novembro de 2010

"Esta é a ditosa Pátria minha amada,"

Foi assim que, há cerca de 500 anos, o grandioso Poeta se referiu a Portugal, no Canto III da sua obra épica "Os Lusíadas". Se vivesse agora, que descrição faria? Talvez "Esta é a desditosa, ou infeliz, ou desventurada, Pátria minha amada" ou, pior, "Esta era a ditosa Pátria minha amada". Nunca vamos saber, mas podemos sempre imaginar, quanto mais não seja transpondo para o Poeta os nossos próprios sentimentos.

Descrevê-la como "...desditosa, ou infeliz, ou desventurada..." é constatar e sentir que, face à situação presente, a espera um futuro sombrio, onde a esperança é quase que uma utopia. Mas pior, mesmo, é termos de nos referir a Portugal dizendo "Esta era a ditosa Pátria minha amada". E dizemos "era", porque já não é. Os Portugueses já não podem tomar decisões sobre Portugal nem podem defender os seus interesses, porque lhe voltaram as costas, deixando-o ao abandono, deslumbrados que estavam com os milhões de euros que vinham da CEE. Agora, têm de limitar-se a cumprir as decisões tomadas pelo BCE e pelo FMI, quaisquer que elas sejam, pois todos sabemos que sem independência financeira, também não se pode ter independência política.
Os governantes do nosso País venderam a alma ao diabo e é o povo que sofre as consequências. Guardo na memória a mágoa que se sente na voz de Adriano Correia de Oliveira, ao cantar "Pátria", de que destaco dois versos:

"triste destino o destino
da gente do meu país"

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